Yançã

Iansa, Inhansa (do ioruba Iya Yansan, mae de nove), ou Oia (de Oya, nome ioruba do rio Niger), Oyi em castelhano, e a orixa dos ventos, das tempestades e do rio Niger, cujas inundacoes controla. Foi esposa de Ogum e Xango e tem um temperamento ardente e impetuoso. As dancas de Iansa sao guerreiras e, se Ogum esta presente, ela se engaja em duelo com ele, em lembranca de suas antigas divergencias. Seus fieis a saudam gritando Epa Heyi Oya!. Seus ritmo e chamados ago, ilu, ou aguere de Iansa e de tao rapido, repicado e dobrado, tambem e conhecido como e quebra-prato . E o mais rapido ritmo do candomble, correspondendo a personalidade agitada, contagiante e sensual desta deusa guerreira, senhora dos ventos e que tem poder de afastar os espiritos dos mortos (Eguns). Ela evoca, por meio de movimentos sinuosos e rapidos, tempestades e ventos furiosos. No candomble, as pessoas dedicadas a Iansa usam colares de contas de cor vermelha ou coral. A quarta-feira lhe e consagrada, assim como a Xango. Seus simbolos sao os chifres de bufalo, um alfanje e o iruexim ou iruquere (espanta-moscas de rabo de bufalo), com o qual comanda os eguns (espiritos dos mortos). Recebe sacrificios de cabras e oferendas de acarajes, ekuru e abara. Ela detesta abobora e a carne de carneiro lhe e proibida, assim como a arraia. Na Bahia, e homenageada no dia 4 de dezembro na Festa de Santa Barbara (padroeira do Corpo de Bombeiros e dos mercados), evento composto de missa, procissao feita por catolicos e praticantes do Candomble, alem das festas nos terreiros, o caruru de Iansa, samba de roda e apresentacao de grupos de capoeira e maculele. Na santeria cubana, Oia e sincretizada com imagens de Nossa Senhora da Candelaria, Nossa Senhora da Anunciacao e Santa Teresa. O arquetipo de Iansa e o das mulheres audaciosas, poderosas e autoritarias. Mulheres que podem ser fieis e de lealdade absoluta em certas circunstancias, mas que, em outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e empreendimentos, deixam-se levar a manifestacoes da mais extrema colera. Mulheres, enfim, cujo temperamento voluptuoso e sensual pode leva-las a aventuras extraconjugais multiplas e frequentes, o que nao as impede de continuarem muito ciumentas de seus maridos, por ela enganados.

Lendas de Iansa

Antes de se tornar mulher de Xango, Iansa (Oia) viveu com Ogum. Lamentando nao ter filhos, consultou um Babalao que a aconselhou fazer oferendas, entre essas um pano vermelho. Cumprida a obrigacao, tornou-se mae de nove criancas, o que, em ioruba, se exprime pela frase Iya omo mesan, origem de seu nome Iansa.

Ogum ia abater um imponente bufalo quando viu a pele do animal se abrir e de dentro sair a bela Oia! Linda, ricamente vestida e cheia de ornamentos que valorizavam sua beleza e sensualidade. Ela dobrou a pele do bufalo e o escondeu num formigueiro, dirigindo-se para a cidade. Ogum a seguiu e, dominado pela sua beleza, propos-lhe casamento, sem ser aceito. Ogum, entao voltou, pegou a pele no esconderijo e a guardou para si, voltando para a cidade. Quando Oia, descobriu o roubo da pele, voltou a cidade e encontrando Ogum a sua espera, acusou-o, exigiu o que era seu e Ogum nao admitiu nada. Oia percebeu que teria de render-se e aceitar as propostas de Ogum, se quisesse seus pertences de volta. Mas impos-lhe tres condicoes: ninguem nunca poderia dizer-lhe diretamente que era um animal; ninguem nunca poderia usar cascas de dende para fazer fogo; e ninguem nunca poderia rodar um pilao pelo chao da casa. Ogum aceitou e se casaram. Isso desagradou as demais mulheres de Ogum. Apos o nono filho de Oia, as demais mulheres, enciumadas, embriagaram Ogum com vinho de palma e conseguiram que ele lhes contasse o segredo de Iansa. Elas entao acusaram-na de ser um animal e lhe disseram onde estavam suas pele, chifres e cascos. Oia fingiu que nao era com ela, mas quando sozinha, correu ate o lugar indicado e achou seus pertences. Vestiu-os e eles se ajustaram perfeitamente, retomou a forca do animal e com raiva atacou as outras mulheres e as matou. Ela pretendia voltar para a floresta, mas seus filhos a chamavam de volta. Ela entao pegou seus chifres e os deu a eles, dizendo-lhes que se algum dia dela precisassem, que os tocasse e ela surgiria para defende-los.

Oxaguia estava em uma guerra que nao acabava nunca, tao poucas eram as armas para guerrear. Ogum fazia as armas, mas lentamente. Oxaguia pediu urgencia, mas o ferreiro ja fazia o possivel. Oia, esposa do ferreiro, resolveu ajudar Ogum a apressar a fabricacao. Pos-se a soprar o fogo da forja de Ogum e avivou o fogo, que derretia o ferro mais rapidamente. Logo Ogum pode fazer muitas armas e Oxaguia venceu a guerra. Oxaguia veio entao agradecer a Ogum, mas enamorou-se de Oia. Um dia, fugiu com ela, deixando Ogum enfurecido e sua forja fria. Quando mais tarde Oxaguia voltou a guerra e precisou de armas, Oia teve que voltar a avivar a forja. La da casa de Oxaguia, onde vivia, soprava em direcao a forja de Ogum, atravessando toda a terra que separava a cidade de Oxaguia da de Ogum. Seu sopro cruzava os ares e arrastava consigo po, folhas e tudo o mais pelo caminho, ate chegar as chamas com furor. O povo se acostumou com o sopro de Oia cruzando os ares e logo o chamou de vento. Quanto mais a guerra era terrivel e mais urgia a fabricacao das armas, mais forte soprava Oia a forja de Ogum. Tao forte que as vezes destruia tudo no caminho, levando casas, arrancando arvores, arrasando cidades e aldeias. O povo reconhecia o sopro destrutivo de Oia e o povo chamava a isso tempestade.

Uma vez Oxum passou pela casa de Iansa e a viu na porta. Ela era linda, atraente, elegante. Oxum entao pensou: (Vou me deitar com ela). E assim, muitas vezes, passou na frente daquela casa. Levava uma quartinha de agua na cabeca, e ia cantando, dancando, provocando. No comeco, Iansa nao se deu conta do assedio, mas depois acabou por se entregar. Mas Oxum logo se dispos a nova conquista e Iansa a procurou para castiga-la. Oxum teve que fugir para dentro do rio, la se escondeu e la vive ate hoje.

Oxum teve uma grande paixao por Erinle, mas na epoca era casada com Ogum. Numa das saidas de Ogum para guerrear, Oxum encontrou Erinle e dele engravidou. Nove meses depois, quando a crianca estava para nascer, Ogum avisou que estava regressando. Oxum, que nao podia mostrar a ele a crianca, deu a luz a um menino, deixou-o em cima de um lírio e foi embora. Iansa, ao passar, viu a crianca que sabia ser de Oxum, pegou-a e a criou. Seu nome era Logunede, Iansa o ensinou a cacar e pescar e viveu com ele por muito tempo.

Houve uma festa com todos os Orixas presentes, menos Omulu. Ogum perguntou por que o irmao nao vinha e Nana respondeu que era por vergonha de suas feridas causadas pelas doencas. Ogum resolveu ajuda-lo e o levou a floresta, onde lhe teceu uma roupa de palha para lhe cobrir todo o corpo. Mas muitos viram o que Ogum fez e continuaram com nojo de Omolu, menos Iansa que, altiva e corajosa, dancou com ele. Entao o vento de Iansa levantou a palha e para espanto de todos, revelou um homem lindo, sem defeito algum. Todos os Orixas ficam estupefatos, principalmente Oxum, que se enche de inveja, mas Omolu, nao quer dancar com mais ninguem. Em recompensa pelo gesto de Iansa, Omolu da a ela o poder de tambem reinar sobre os mortos (eguns).

Xango gostava de sentar-se ao lado da forja para ver Ogum trabalhar. Vez por outra, ele olhava para Iansa. Iansa, tambem, espiava furtivamente Xango. Xango era vaidoso e cuidava muito da sua aparencia, a ponto de trancar seus cabelos como os de uma mulher. Ele fizera furos nos lobos de suas orelhas, onde pendurava argolas. Usava braceletes e colares de contas vermelhas e brancas. Muito impressionada pela distincao e pelo brilho de Xango, Iansa fugiu com ele e tornou-se sua primeira mulher.

Xango enviou Iansa em missao na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado que, uma vez ingerido, lhe permitiria lancar fogo e chamas pela boca e pelo nariz. Oia, desobedecendo ao marido, experimentou o preparado e tornou-se tambem capaz de cuspir fogo, para grande desgosto de Xango, que desejava guardar so para si esse terrível poder.

Certa vez, Xango foi visitar o irmao Ogum e conheceu sua mulher Iansa. Os dois se apaixonaram e Iansa largou Ogum, indo viver com Xango. Tempos depois, com saudades, Iansa voltou para Ogum; entao Xango chamou seu exercito e atacou o reino do irmao. Enquanto lutavam, Ogum mandou Iansa para o reino de Oxossi. Quando Xango, vencedor, foi busca-la, ela se casara com Oxossi. Atacou-o, e Oxossi mandou Iansa para o reino de Omolu. E a historia se repetiu, ate que Iansa foi mulher de todos os Orixas. Mas no final acabou voltando a viver com Xango, e de sua uniao nasceram os gemeos Ibeji.

Xango construiu um palacio de cem colunas de bronze. Ele tinha um exercito de cem mil cavaleiros. Vivia entre suas mulheres e seus filhos. Iansa, sua primeira mulher, era bonita e ciumenta. Oxum, sua segunda mulher, era coquete e dengosa. Oba, sua terceira mulher, era robusta e trabalhadora. Sete anos mais tarde, foi o fim do seu reino: Xango, acompanhado de Iansa, subira a colina Igbeti, cuja vista dominava seu palacio de cem colunas de bronze. Ele queria experimentar uma nova formula que inventara para lançar raios. Bummm!!! A formula era tao boa que destruiu todo o seu palacio! Adeus mulheres, crianças, servos, riquezas, cavalos, bois e carneiros. Tudo havia desaparecido fulminado, espalhado e reduzido a cinzas. Xango, desesperado, seguido apenas por Iansa, voltou para Tapa. Entretanto, chegando a Kosso, seu coracao nao suportou tanta tristeza. Xango bateu violentamente com os pes no chao e afundou-se terra adentro. Iansa, solidaria, fez o mesmo em Ira. Oxum e Oba transformaram-se em rios e todos tornaram-se orixas.

Os nove filhos de Iansa

O nome Iansa, como dito acima, significa (mae de nove), (com Ogum, Oxossi ou Xango, dependendo da versao) e uma versao do mito conta que oito nasceram mudos e o ultimo, Egun, gracas aos sacrificios recomendados por Ifa, nasceu com o poder de falar com voz estranha e sobrenatural. Algumas tradicoes especificam os nomes dos nove filhos que, segundo uma delas, seriam: Imalega - nasceu no primeiro dia. Foi tirado do ventre de Oia pelas Iyami e envolvido em abanos; Ioruga - foi envolvido em palha seca e alimentado com talos de bananeira. Nasceu com a vaidade de Oia e e o preferido. Akuga - nasceu do terceiro dia da tempestade e foi criado nas touceiras de bambu. E rebelde. Nao se deve tocar o chao do bambuzal. Uruga - alimenta-se das folhas das bananeiras e esconde-se nas florestas. Faz buracos. Omoruga - alimenta-se do po do bambu que esta caido no chao. Vive no milharal e fica escondido nos bambuzais observando os seres humanos. Demo - Oia cobriu-o de lama para saber os segredos de seus inimigos. Usa pele de bufalo para acompanhar Oxossi. Reiga - Acompanha os mortos e ronda os cemiterios. Esconde-se nas grandes arvores dos cemiterios e ronda as sepulturas a procura de objetos perdidos ou esquecidos pelas pessoas. Heiga - E violento e vive perseguindo o Ori do ser humano. Propicia desastres e desordens; Egungun - Oia preparou-o para combater. Apossa-se do ser humano, fazendo-o cometer desatinos.

Qualidades de Iansa

Ygbala ou Iybala: e a deusa dos mortos, ligada diretamente ao culto de Egun, por isso senhora dos cemiterios. Tem pleno dominio sobre os mortos, trazendo consigo uma falange de Eguns que ela controla e administra , pois todos temem o seu terrivel poder. Devido a sua relacao com Egun, e proibido vesti-la de vermelho. Sua vestimenta e branca. Fure: usa uma foice na mao esquerda e um aruexim na direita, veste branco e por cima de suas vestes a palha da costa. Danca como se estivesse carregando na cabeca uma enorme cabaca. Em suas vestes vao pequenas cabacas dependuradas, no tornozelo direito uma pulseira de aco, tem ligacao direta com o culto a morte e aos Eguns e preside a vida e a morte. Odo: ligada as aguas , apaixonada carnal e muito louca por amor. Iamesan: E a que foi esposa de Oxossi, meio animal e meio mulher, so come caca, mae dos nove filhos. Come com Oxossi nas matas. Onira: e uma orixa das aguas doces cujo culto no Brasil confundiu-se com o de Iansa por ser uma guerreira. Seu culto na Africa era independente. Tem ligacao com o culto a Egun e lacos de amizade com Oxum, pois foi Onira quem ensinou Oxum Opara a guerrear. E a dona do atori, uma pequena vara usada no culto de Oxala para chamar os mortos na intencao de faze-los participar da cerimonia. Tambem e usado para fazer reinar a paz no local ou na vida de alguem e trazer-lhe abundancia e tem o poder de mandar chover regularmente para trazer a prosperidade. Ela deu a Oxaguia, o atori e seu poder de exerce-lo, alem de ter lhe ensinado o fundamento e como usa-lo. E ainda a mae de criacao de Logunede, Apanan. Por isso, toda oferenda para ela deve ser acompanhada de um agrado a essa qualidade do orixa Logunede. E uma Orixa muito perigosa por sua ligacao e caminhos com Oxaguia, Ogum e Obaluaie. Veste o coral e amarelo, contas iguais. Yatope: tem ligacao forte com Xango. Veste branco. Afefe Iku Funa: senhora do fogo e dos ventos da morte. Caminha com Ogum e Obaluaie e tem caminhos, tambem, com Egun e Iku (morte). Veste branco ou azul-claro. Afakarebo: nao e feita em seus eleitos, e a verdadeira dona a quem sao entregues todos os ebos. Seus caminhos levam diretamente a Exu e Egun. Seus rituais sao todos feitos no murim, cabacas e porroes. Afefe: comanda os ventos. Tem caminhos com Obaluaie e Egun.Veste vermelho e branco, usa o coral e o chorao de seu ade e alaranjado . Bagan: nao tem cabeca. Come com Exu, Ogum e Oxossi. Tem caminhos com Egun. Petu: ligada aos ventos e as arvores. Esposa de Xango, que vai sempre na frente anunciando sua chegada. Ogunnita ou Egunita: ligada ao culto de Egun, seu fundamento mais forte. E a senhora que caminha com os mortos. Alguns umbandistas como Rubens Saraceni e Alexandre Cumino tendem a separar esta manifestacao de Iansa das demais, criando assim um orixa feminino individual. Egunita nessa visao seria a senhora da espada flamejante, a mae ignea associada a Santa Brigida ou mesmo a Santa Sara Kali dos ciganos.

Yansa na Umbanda

Na umbanda, o simbolo de Iansa e uma taca ou calice e as contas usadas por seus filhos e filhas sao amarelas. Ela e normalmente sincretizada com Santa Barbara, mas com Santa Madalena na qualidade de Oye Fune, e com Santa Joana D'Arc na de Oya Iybale. Na interpretacao mais tradicional, e a lider de uma das falanges da linha de Iemanja, como (Cabocla Iansa). Em outra interpretacao,e considerada parte da linha de Xango. Atua como o polo ativo da linha da Justica, enquanto Xango e seu aspecto assentado ou imutavel. Chamada tambem de (A Virgem da Coroa), Iansa e de expressao seria e porte de guerreira, batalhadora e lutadora. Iansa na umbanda incorpora com expressao altiva e com o braco direito estendido para cima e com a mao direita a balancar, como se estivesse chamando os raios. Sua imagem e a de Santa Barbara, ou seja, uma moca de cabelos claros com uma tunica vermelha por cima de um vestido amarelo, segurando um ramo ou uma espada. As cores de Iansa na Umbanda variam conforme a regiao, o que se reflete nas cores de suas velas votivas. No centro do pais os terreiros usam as cores amarela ou vermelha. Ja no Rio Grande do Sul alguns terreiros usam a cor azul-escura.

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