Primeiro Conga

Primeira saída de santo

Babalorixá Edson de Ogum

Histórico

Novembro de 1.978 trabalhava em uma Empresa de Transportes na Cidade de São Paulo, comecei a sentir fortes dores na região das costas, consultei um medico e o mesmo constatou que eu tinha um serio problema na coluna, fiz o tratamento adequado, porem foi passando alguns meses e o problema não teve resultado positivo.

Comecei então a não sentir mais a perna esquerda, a mesma paralisou, assim sendo não poderia mais andar, fiquei vários dias internado, os médicos inconformados com o quadro, chegaram a triste conclusão que deveria ser amputada a perna para que a doença (paralisação) não se alastrasse pelo corpo.

Eu era muito descrente, ou seja, não acreditava em religião alguma, foi então que através de alguns amigos, consegui fugir daquele hospital pela porta dos fundos, me levaram para casa,chegando La minha mãe que acreditava muito na religião Espírita me forçou a ir ate um Terreiro de Umbanda, muito contrariado mas fui carregado, adentrando no local uma entidade me recebeu, fazendo o atendimento, meio a muita discussão com o Guia Espiritual Baiano 7 no e 7 volta, o mesmo me prometeu a cura, mesmo assim eu não acreditava.

Perguntava-me como pode um Espírito incorporado em um ser humano resolver tamanho problema? A Entidade me mandou embora e ordenou que eu fizesse os banhos necessários, e me avisou que eu retornaria ao Terreiro de livre e espontânea vontade, num prazo de 7 (sete) dias eu retruquei, disse a ele que jamais eu pisaria ali novamente.

Sai do local muito contrariado, pois não acreditava numa palavra que aquela Entidade me dirigiu. Passados 03 (três) dias, pedi a minha mãe que me acompanhasse ate aquele Terreiro, chegando La o Guia Espiritual já estava em terra me aguardando a mais ou menos 30 minutos, não estava fazendo atendimento algum, quando entrei no Terreiro amparado por outras pessoas.

A Entidade apenas me falou: Eu avisei que voltaria de livre e espontânea vontade, agora vamos dar inicio ao tratamento, foi feito os trabalhos necessários, o mesmo mandou-me embora novamente, dizendo apenas que no prazo de 7 (sete) dias eu voltaria andando sem ajuda alguma.

Assim eu fiz fui embora, dado o prazo retornei andando e curado, fui perguntar a Entidade o quanto me custaria aquela cura. Ele apenas me respondeu você já pagou não me deve nada, foi então que entendi o quanto seria importante o meu ingresso na religião, praticando o bem e a caridade. Diante deste relato conclui o meu desenvolvimento Espiritual e posteriormente a fundação da TENDA DE UMBANDA SENHOR OGUM BEIRA MAR E MANE BAIANO EM 01 DE JANEIRO DE 1.980.


São 40 anos dentro da Umbanda, e durante todo este tempo nada foi tão fácil como parece, tive muitas alegrias e muitas tristezas também, conheci pessoas, desgostei de pessoas, e conheci algumas em especial que mesmo perante a toda dificuldade continuou ao meu lado, até chegar onde estou, dirigindo um terreiro Umbandista, passei por batismo, feituras dentro da vertente a qual escolhi seguir, e hoje luto pra manter a religião e um terreiro em pé, fui muito criticado e desacreditado quando pela espiritualidade fui escolhido para ser um sacerdote, humano e cheio de falhas, mas com o coração grande e disposto a seguir a caminhada da caridade, para aceitar estar a frente de um terreiro tem que ter coragem, coragem que poucos tem, coragem de assumir todas as responsabilidades espirituais, e carnais, coragem para não desistir, coragem para levar a religião e mostrar sua beleza, coragem para aceitar muito mais críticas do que elogios, coragem para dar a cara a bater quando é necessário, coragem para aceitar a intolerância, coragem para aceitar os dedos apontados, coragem para ouvir olha o servo do diabo, mas parando refletindo, não poderia ter escolhido o melhor caminho da minha VIDA, amo estar onde estou, e mesmo com problemas e dificuldades acordar disposto a continuar praticando a caridade a quem precisa, e tudo isto acima enquanto tiver vida passarei a escutar, passarei a ser criticado, porque é mais fácil apontar do que esta no lugar da outra pessoa, muitos serão filhos mas poucos serão País, se algumas pessoas soubessem a luta que cada zelador de santo tem pra manter um terreiro em pé, apoiava mais e criticava menos, mas assim junto a toda espiritualidade positiva, continuamos na luta para levar ao mundo inteiro a bandeira de Oxalá!

Pai Edson de Ogum!


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