XANGÔ


2020 ano de Xangô


Por Xangô ser o justiceiro, você deve tomar cuidado redobrado com suas ações. Busque fazer sempre o bem em 2020 e seja fiel às suas convicções. Pois, aqueles que derem amor, também receberão afeto na mesma proporção. No entanto, por outro lado, aqueles que seguirem por caminhos tortuosos serão veemente punidos pelo Orixá. Olhe para si mesma e observar quais são suas características que precisam ser melhoradas. Tente aprender com seus erros do passado e, se possível, consertá-los. Se você buscar ser uma pessoa melhor, colherá os frutos. Na mesma proporção, também colherá pela discórdia que plantar.

No ano de Xangô, todos são julgados por todos os seus atos, até os pequenos. O Orixá regente do ano de 2020, Xangô, é considerado também o Orixá da inteligência. Assim, todos os seus planos relacionados aos estudos e a busca do saber serão beneficiados. Relacionado à justiça e ao carma, Xangô é representado por um machado de duas faces – aquele que protege, mas que também pune. Atrevido, violento e justiceiro, Xangô é conhecido por castigar os ladrões e mentirosos.

Diz a lenda que o próprio raio é uma punição enviada por esse Orixá quando está em fúria. Outro símbolo de Xangô é a estrela de seis pontas, que representa o poder de equilibrar o universo.

Xangô é o senhor do fogo, dos coriscos, rei das pedreiras, orixá da justiça, aquele que gera o poder da política. Saudamos Xangô no ribombar dos trovões, pois ali está a sua voz, sentimos sua presença nos raios e nos grandes incêndios, situações que, por sinal, são também regidas por Iansan. Xangô é a síntese do poder, o poder é o seu prazer, Xangô nasce do poder, rei absoluto, forte, imbatível, é rei entre os reis, manda nos poderosos, manda em seu reino e nos reinos vizinhos. É o orixá que reinou em Oió, antiga capital política da Nigéria. Nas terras de Oió, doze ministros eram responsáveis pela administração da cidade, no entanto, a palavra final cabia aquele que entre os reis era o senhor: Xangô, o grande soberano de Oió, o rei por excelência.

Cultuar Xangô é nossa obrigação, conseguir atraí-lo para junto de nós e usufruir de seu poder é uma dádiva. Xangô gosta de tudo o que é quente, pois o calor lembra a vida, que para ele é a maior de todas as riquezas. Nada em seu culto pode ser mórbido, sua comida não pode ser servida fria, o dia de seu culto não deve ser frio, tudo precisa estar vivo, quente e intenso para saudar a chegada de Xangô. Amigo das delícias da vida, Xangô deve ser servido como se muitos fossem comer com ele. Um prato ofertado a Xangô deve ter apresentação impecável, ter tempero marcante, ser farto. Afinal, um rei com doze ministros, três rainhas e uma multidão para governar não pode ser recebido com mesquinharia. Toda comida de Xangô deve ser consumida ainda quente, Xangô não come nada frio, ele rejeita o que não está quente, rejeita o que não está vivo.

Xangô é o orixá que incorpora com perfeição os valores da boa vida. Seu poder também se expressa em suas evocações, suas cantigas e orikís (versos sagrados), que falam de suas preferências gastronômicas, do medo que ele desperta, de sua imortalidade.

A imagem do poder está sempre associada a Xangô. O poder real lhe é devido por ter sido o quarto rei de Oió. Segundo dados históricos, Xangô destronou o próprio irmão com um golpe militar. A personalidade paciente e tolerante do irmão o irritava, e certamente também ao povo de Oió, que o apoiou para que ele se tornasse o seu grande rei, até hoje lembrado. Xangô é o rei que não aceita contestação, todos sabem seus méritos e reconhecem que seu poder, antes de ser conquistado pela opressão e pela força, é merecido pois Xangô soube inspirar a credibilidade de seus súditos, tomou decisões acertadas e sábias e sobretudo demonstrou a sua capacidade para o comando, persuadindo a todos não só por seu poder repressivo como por seu senso de justiça muito apurado e por vezes catastrófico.


História de Xangô


Xangô era Rei de Oio, o mais temido e respeitado de todos os Reis. Mesmo assim, um dia seu reino foi atacado por uma grande quantidade de guerreiros que invadiram a cidade violentamente, destruindo tudo e matando soldados e moradores numa tremenda fúria assassina.

Xangô reagiu e lutou bravamente durante semanas. Um dia, porem, percebeu que a guerra tornara-se um caminho sem volta. Já havia perdido muitos soldados e a única saída seria entregar sua coroa aos inimigos.

Resolveu então procurar por Orunmila e pedir-lhe um conselho para evitar a derrota quase certa. O adivinho mandou que ele subisse uma pedreira e la aguardasse, pois receberia do céu a iluminação do que deveria ser feito. Xangô subiu e quando estava no ponto mais alto do terreno foi tomado de extrema fúria.

Pegando seu oxê, (machado de duas laminas), começou a quebrar as pedras com grande violência. Estas ao serem quebradas. Lançavam raios tão fortes que em instantes transformaram-se em enormes línguas de fogo que, espalhando-se pela cidade, mataram uma grande quantidade de guerreiros inimigos.

Os que restaram, apavorados, procuraram os soldados de Xangô e renderam-se imediatamente pedindo clemência. Levados ate o rei, os presos elegeram um emissário para servir-lhes de porta voz. O homem escolhido foi logo se atirando aos pés de Xangô.

Desculpou-se, pedindo perdão. Humilhando-se, explicou que lutavam, não por vontade própria e sim forcados por um monarca, vizinho de Oio, que tinha um grande ódio de Xangô e os martirizava impiedosamente. Xangô, altamente perspicaz, enxergou nos olhos do guerreiro que ele falava a verdade e perdoou a todos, aceitando-os como súditos de seu reino.

Assim tornou-se conhecido como o Orixá justiceiro que perdoa quando de frente com a verdade mas que queima com seus raios os mentirosos e delinquentes.


Arquétipo


O arquétipo dos filhos de Xangô são aquelas pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância real ou suposta.

Das pessoas que podem ser grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição, e, nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso das reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência.

Enfim, o arquétipo de Xangô e aquele das pessoas que possuem um elevado sentido da sua própria dignidade e das suas obrigações, o que as leva a se comportarem com um misto de severidade e benevolência, segundo o humor do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça.

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